Nasce o Livro Livre: Um Ponto de Resistência Anarquista no Sul do Espírito Santo

A cidade de Cachoeiro de Itapemirim, berço de uma cultura muitas vezes aprisionada pelas elites, ganha um sopro de liberdade e resistência. A União Anarquista Federalista (UAF), em parceria com a Federação Anarquista Capixaba (FACA), lança o projeto Livro Livre: um ponto físico de troca de livros baseado no mais puro princípio do apoio mútuo. Aqui, não há moeda, não há patrão, não há catraca. Deixe um livro, leve outro. É um ato simples, mas profundamente subversivo em um mundo que tenta mercantilizar cada aspecto de nossas vidas e conhecimentos.

Este espaço é mais do que uma estante; é um marco territorial da cultura libertária na cidade. É um convite para que a classe trabalhadora, os estudantes, os artistas e todos os inconformados ocupem esse pedaço da cidade com ideias que o sistema quer ver esquecidas. Ao colocar em circulação livros sobre anarquismo, anticapitalismo, feminismo, ecologia social e história vista de baixo, estamos construindo as trincheiras ideológicas da nossa luta. Cada livro retirado é uma semente plantada; cada livro doado é um tijolo no muro da resistência popular.

Funciona pela solidariedade e pela confiança, valores que o capitalismo tenta destruir diariamente. Se você tem livros pegando poeira em casa, traga-os para ganharem vida nova nas mãos de outros combatentes. Se você busca conhecimento para entender o mundo e transformá-lo, venha buscar. Não se trata de caridade, mas de responsabilidade coletiva com a formação da nossa classe. O projeto Livro Livre vive pela comunidade e para a comunidade, sendo um exercício prático de autogestão e horizontalidade, mostrando que podemos organizar nossa cultura e nossa educação sem esperar permissão do Estado ou dos empresários.

Por isso, conclamamos todos os moradores de Cachoeiro e região: venham conhecer, participem, doem, levem, divulguem. Apoiem essa iniciativa que aquece nossos corações e mentes para a batalha das ideias. O futuro que queremos construir, sem exploração e sem opressão, passa também por gestos como esse. O Livro Livre é nosso, é de quem o fizer. Ocupe a cultura, liberte-se! Viva a UAF! Viva a FACA! Pelo apoio mútuo e pela revolução social!

União Anarquista Federalista – https://uafbr.noblogs.org/

Federação Anarquista Capixaba – https://federacaocapixaba.noblogs.org/

English version:

The “Free Book” is Born: A Point of Anarchist Resistance in the South of Espírito Santo, Brazil.

The city of Cachoeiro de Itapemirim, birthplace of a culture often imprisoned by the elites, gains a breath of freedom and resistance. The Anarchist Federalist Union (UAF), in partnership with the Capixaba Anarchist Federation (FACA), launches the Free Book project: a physical book exchange point based on the purest principle of mutual aid. Here, there is no currency, no boss, no turnstile. Leave a book, take another. It is a simple act, but profoundly subversive in a world that tries to commodify every aspect of our lives and knowledge.

This space is more than a bookshelf; it is a territorial landmark of libertarian culture in the city. It is an invitation for the working class, students, artists, and all nonconformists to occupy this piece of the city with ideas that the system wants to see forgotten. By circulating books on anarchism, anti-capitalism, feminism, social ecology, and history from below, we are building the ideological trenches of our struggle. Each book taken is a seed planted; each book donated is a brick in the wall of popular resistance.

It operates on solidarity and trust, values that capitalism tries to destroy daily. If you have books gathering dust at home, bring them so they can gain new life in the hands of other fighters. If you seek knowledge to understand the world and transform it, come and get them. This is not about charity, but about collective responsibility for the education of our class. The Free Book project lives by the community and for the community, being a practical exercise in self-management and horizontality, showing that we can organize our culture and our education without waiting for permission from the State or businessmen.

Therefore, we call upon all residents of Cachoeiro and the region: come and see, participate, donate, take, spread the word. Support this initiative that warms our hearts and minds for the battle of ideas. The future we want to build, without exploitation and without oppression, also involves gestures like this. The Free Book is ours, it belongs to those who make it happen. Occupy culture, free yourself! Long live the UAF! Long live the FACA! For mutual aid and social revolution!

União Anarquista Federalista – https://uafbr.noblogs.org/

Federação Anarquista Capixaba – https://federacaocapixaba.noblogs.org/

A Hora é Agora: Uni-vos, Trabalhadores, pela Dignidade e pela Luta!

Chega de silêncio, chega de aceitar migalhas enquanto constroem a riqueza da nação com o suor do teu rosto! Olha ao teu redor: a precarização avança, os direitos são rasgados e a ganância patronal tenta calar a nossa voz. A imagem que você vê não é um instantâneo qualquer; é o retrato da nossa força coletiva, o símbolo de que a união é o nosso maior escudo. Enquanto estivermos divididos, seremos apenas peças descartáveis na engrenagem. Mas, juntos, somos a engrenagem que faz o mundo girar! Acorda, classe trabalhadora! O momento de reagir é este, antes que arranquem de nós o pouco que conquistamos com décadas de luta.

Não espere que a mudança caia do céu ou venha da boa vontade dos patrões. A história prova que cada direito conquistado – da jornada de 8 horas ao descanso semanal, das férias ao 13º salário – foi fruto da nossa pressão nas ruas, da nossa coragem em cruzar os braços e dizer: “Não passarão!”. A exploração só recua quando encontra pela frente a muralha da nossa organização. Seja no sindicato, na assembleia da fábrica ou na mobilização popular, o nosso lugar é na linha de frente, lutando por dignidade, por salário justo e por respeito. A passividade é o combustível da opressão; a rebeldia organizada é o motor da vitória.

Portanto, vista a camisa da luta, chame o companheiro de trabalho, o vizinho, o amigo! A batalha que se aproxima não é de um, é de todos nós. O ato que esta imagem representa precisa de você para se transformar numa avalanche que derrube os muros da injustiça. Apareça, participe, organize-se! Junte-se a nós no [local do evento] e faça valer a nossa força. Porque um trabalhador sozinho pode até ser ignorado, mas a classe trabalhadora unida é capaz de parar o mundo e construir um futuro onde a nossa dignidade não seja moeda de troca. A luta é agora e a vitória será nossa!

União Anarquista Federalista – UAF

Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA (https://i-f-a.org/)

Para Além da Exploração: Saúde, Liberdade e Ação Direta no Novo Ano

Camaradas, trabalhadoras e trabalhadores de todos os cantos,

Que 2026 encontre-nos com os punhos cerrados e o olhar voltado para o horizonte da libertação. A União Anarquista Federalista (UAF) saúda a chegada deste novo ano não como uma simples mudança de data, mas como mais uma trincheira no longo combate histórico contra todas as formas de dominação. Aos explorados pelo capital, oprimidos pelo Estado, marginalizados pelo patriarcado e pela hierarquia social, nosso chamado se renova: não há futuro a ser esperado, há um mundo a ser construído pelas nossas próprias mãos, a partir de baixo. Que este ano seja de organização crescente, de solidariedade ativa e de recusa intransigente.

O sistema que nos esmaga não descansa. Enquanto celebrarmos a passagem do tempo, os donos do poder contabilizam seus lucros extraídos do nosso suor e planejam novas formas de controle. A fome, a precariedade, a violência estatal e a destruição ambiental não são acidentes; são produtos diretos de uma máquina social que privilegia a propriedade sobre a vida e o autoritarismo sobre a liberdade. Em 2026, que nossa resposta seja a ampliação da ação direta, o fortalecimento dos núcleos de apoio mútuo e a construção de redes autônomas que possam sustentar nossas comunidades, tornando-nos cada vez menos dependentes das estruturas que nos oprimem.

Convidamos a todas e todos que carregam o fardo da exploração a se unirem a esta luta que não é de um partido ou de uma vanguarda, mas do povo organizado. A UAF, enquanto proposta de federação libertária, acredita na força da união voluntária, na democracia direta dos coletivos e no federalismo como caminho para uma sociedade verdadeiramente livre. Em seus bairros, locais de trabalho, escolas e campos, tomemos o ano que começa como oportunidade para semear a autonomia: criando assembleias populares, difundindo conhecimento livre, ocupando espaços e resistindo a cada golpe do capital e do Estado.

Que 2025 tenha terminado com nossas bandeiras negras e vermelhas hasteadas nas ruas, e que 2026 as veja fincadas em terrenos férteis de novas relações sociais. Não lutamos por um governo melhor, mas por um mundo onde os governos sejam desnecessários; não por migalhas, mas pelo pão inteiro e pela rosa de que falavam as companheiras. Avante, pois! Que a saudação anarquista – “saúde e liberdade!” – ecoe forte em nossos encontros. Que cada aperto de mão, cada decisão coletiva e cada ato de rebeldia em 2026 seja um passo firme rumo à sociedade futura, que já vivemos em embrião cada vez que nos organizamos sem chefes e sem senhores. Um ano de luta, de construção e de esperança combativa a todos os explorados!

União Anarquista Federalista – UAF

Por um mundo novo: apoie a participação da UAF no congresso anarquista

Olá companheiras e companheiros, amigos e amigas,

Para garantir a participação de um representante da União Anarquista Federalista (UAF) no Congresso 2026 da Internacional de Federações Anarquistas (IFA), produzimos estas camisas para divulgar a causa e arrecadar fundos para a viagem. O valor é de R$ 70,00 por camisa. Abaixo estão algumas estampas disponíveis.

A entrega para fora da Bahia e do Espírito Santo será feita pelos Correios, com frete pago pelo comprador.

Para as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, o Núcleo Sereno Anarquista ficará responsável pela comercialização e distribuição. Os pedidos devem ser feitos pelo e-mail aguaslivres@riseup.net.

Em Salvador, você pode retirar sua camisa na Maloca Libertária ou combinar um local de entrega.

No Espírito Santo, as camisas estarão disponíveis em Vitória e Cachoeiro de Itapemirim, também com a possibilidade de combinar ponto de entrega.

A distribuição no Sul e Sudeste será realizada pela Federação, através do e-mail fedca@riseup.net.

Apoie a causa, o trabalho e a luta por um mundo novo!

Está em nossas mãos a conquista da liberdade!

União Anarquista Federalista (UAF)

Solidariedade com o povo do Sudão desde Liubliana

Enquanto filiados à IFA, reproduzimos o comunicado abaixo e estendemos a nossa solidariedade ao povo sudanês.

Recebemos com tristeza a notícia da queda de Al-Fachar. Após os massacres e os deslocamentos, o horror não cessa no Sudão. A guerra entre diferentes forças armadas autoritárias pelo controle do território é um dos maiores conflitos militares ainda em curso no mundo. Este massacre causou mais de 150.000 vítimas, o deslocamento de mais de 10 milhões de pessoas e uma fome generalizada, violações, doenças… Para sobreviver, a população sudanesa tentou se organizar e criou comitês revolucionários.

Essas iniciativas foram reprimidas pelos militares com detenções, torturas e assassinatos de nossos companheiros. Compartilhamos com vocês o apelo de Ali Abdel Moneim, do grupo anarquista do Sudão: «Nós, os membros do Grupo Anarquista do Sudão, perdemos companheiros; alguns de nossos membros ficaram feridos e outros morreram; outros enfrentam o perigo iminente da guerra. Nossas famílias sofrem com fome, falta de remédios e falta de alimentos. Acreditamos no anarquismo em uma terra onde a autoridade domina tudo, e lutamos para defender a nós mesmos, nossa ideia e nossa unidade. Hoje precisamos de vocês: estendam a mão e nos apoiem para que possamos resistir às autoridades e aos janjaweed.»

Como anarquistas, os membros da IFA reunidos em Liubliana para uma CRIFA queremos expressar nosso apoio ao povo sudanês oprimido. Nossos pensamentos estão com os caídos que se defenderam. Esses companheiros lutaram para defender uma vida melhor e pagaram o preço. Esta guerra é como todas as outras, todas elas devem ser denunciadas e abandonadas. Como anarquistas, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para apoiar as vítimas dos conflitos e nos opor a esta situação. Nosso antimilitarismo e nosso ativismo contra a guerra superam fronteiras e mares.

“Que a revolução perdure, como uma adaga envenenada no coração dos tiranos”.

Comitê de Relações da Internacional de Federações Anarquistas,
Liubliana, 2 de novembro de 2025

A Fome é uma Invenção do Capitalismo: Da Mentira da Escassez à Luta pela Soberania Alimentar

Reproduzimos o texto oriundo da conferência proferida no dia 03/10/2025:

A fome é sistematicamente apresentada como um problema técnico, resultado de uma suposta falta de comida, ou como uma tragédia natural decorrente de secas e guerras. Esta é a grande mentira que nos é contada. Na realidade, a fome não é uma falha do sistema capitalista; é uma de suas funcionalidades mais cruéis e brutais, a expressão máxima de uma lógica que coloca o lucro acima da vida.

A prova mais contundente dessa perversidade está no Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Na safra de 2022/2023, o país produziu mais de 300 milhões de toneladas de grãos. Se essa produção fosse simplesmente dividida pela população, cada brasileiro teria direito a mais de 4 kg de comida por dia. No entanto, em meio a essa abundância obscena, 33 milhões de pessoas passam fome e 70 milhões vivem em insegurança alimentar. Como é possível? A resposta é simples e direta: o sistema não produz para alimentar; produz para lucrar.

Esta é a lógica perversa do capitalismo: a comida não é um direito, é uma mercadoria. Seu valor primordial não está em nutrir pessoas, mas em gerar acumulação de capital. É mais lucrativo para uma grande corporação transformar milho em etanol ou ração para gado confinado do que garantir comida barata para a população. O desperdício deliberado — jogar leite fora ou deixar frutas apodrecerem — é uma estratégia de mercado para manter os preços altos. Quem comanda esse sistema são cerca de 50 corporações globais, como Cargill, Bayer e Nestlé, que controlam a produção, a distribuição e os preços dos alimentos. A comida está nas mãos de quem quer sugar lucro, não nutrir vidas.

No Brasil, a face mais visível dessa máquina de gerar fome é o agronegócio. Ele não produz comida; produz commodities para exportação. Enquanto ocupa 75% das terras cultiváveis, é a agricultura familiar, que usa apenas 23% da área, quem coloca a comida de verdade na mesa do brasileiro, responsável por 70% do feijão, 58% do leite e 38% do café. Ainda assim, o agronegócio recebe a esmagadora maioria dos subsídios e créditos governamentais. O sistema, portanto, financia quem exporta lucro, não quem alimenta o povo. E o faz através da expulsão de comunidades tradicionais, do envenenamento da terra com agrotóxicos e da destruição de biomas, consolidando-se como um projeto de morte.

O Estado, longe de ser um mediador neutro, atua como o gerente desse capital. O desmonte de políticas públicas é uma escolha política. O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014 graças a políticas robustas de apoio à agricultura familiar e distribuição de renda. Com o governo posterior, essas políticas foram desmontadas, e o país retornou ao Mapa da Fome em 2022. Isso não foi um acidente, mas a consequência direta de um Estado que serve ao capital e joga com a vida do povo conforme os interesses das classes dominantes. Programas bem-sucedidos como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE, que direciona 30% da alimentação escolar para a agricultura familiar, mostram que soluções existem, mas são sempre os primeiros alvos quando o capital exige austeridade.

Diante desse cenário, não basta denunciar. É preciso construir as alternativas aqui e agora, sem depender do Estado ou das corporações. A Ação Direta se materializa nas ocupações de terra do MST e outros movimentos, que não são “invasões”, mas a recuperação de terras roubadas para um propósito social: produzir comida de verdade, sem veneno, de forma cooperada. O Apoio Mútuo se concretiza nas cooperativas de agricultura familiar, nas feiras livres, nas hortas comunitárias e nos circuitos curtos de produção e consumo. Um exemplo prático é a ASTRAF no Distrito Federal, que produz 40 toneladas de alimentos orgânicos por mês e abastece diretamente as escolas públicas. Isso é soberania alimentar na prática: o povo controlando o que produz e o que come.

Conclui-se, portanto, que a fome é uma arma política. É um instrumento para controlar, disciplinar e fragilizar a classe trabalhadora. Um povo com fome é mais fácil de manipular. O problema mundial nunca foi a falta de comida, e sim a concentração de renda, terra, poder e lucro — engrenagens do Estado e do Capital que fabricam a escassez. Nossa luta não é por migalhas ou “mais políticas públicas”. É por uma mudança radical: pela terra livre, pelas sementes crioulas, pela autogestão das comunidades e pelo fim do poder das corporações e do Estado. A fome é uma invenção do capitalismo. E a nossa tarefa histórica é inventar, com nossas próprias mãos, um mundo novo onde ela seja apenas uma lembrança ruim. Pela terra, pela liberdade e pelo fim de toda a dominação!

Liberto Herrera.

União Anarquista Federalista – UAF

Do Debate à Ação: Forjando a Liberdade em Lajinha!

Companheiras, companheiros, povo consciente de Lajinha e de todo território dominado pelo Estado brasileiro!

Enquanto os de cima festejam em seus salões e apostam na nossa desunião, nós, da União Anarquista Federalista (UAF), fazemos o que eles mais temem: nos reunimos, debatemos e forjamos nossa própria liberdade. No fim da tarde de 30 de setembro, a revolução não gritou nas ruas, mas sussurrou e raciocinou em uma poderosa roda de conversa. O povo se reuniu não para ouvir um líder, mas para construir, coletivamente, o caminho da sua própria emancipação.

Os temas não foram acadêmicos. Foram ferramentas. Autogestão – a prova prática de que não precisamos de patrões para organizar nosso trabalho e nossas vidas. Apoio Mútuo – a arma letal contra a lógica individualista e competitiva que o Capital nos impõe. Solidariedade de Classe – a compreensão de que a luta do operário da fábrica é a mesma do camponês do campo, do favelado, do estudante endividado e da mãe solo que luta para sobreviver.

Este não foi um debate de ideias abstratas. Foi uma trincheira de formação revolucionária. Foi a demonstração de que o povo, quando se organiza horizontalmente, é perfeitamente capaz de pensar, de aprender e de ensinar. Enquanto o Estado nos trata como incapazes e o Capital nos reduz a meros números, nós, anarquistas, reafirmamos: o conhecimento é poder, e esse poder deve ser de todos!

A roda de conversa é a antítese do parlamento burguês. Enquanto eles falam sobre nós, sem nós, nós falamos por nós, entre nós. É a ação direta aplicada à educação. É a semente da nova sociedade sendo plantada no terreno fértil da consciência popular. É a prova de que a revolução não se faz apenas com confronto, mas também com a paciência revolucionária de educar, organizar e construir poder popular.

Mas, companheiras e companheiros, de que adianta o debate se ele não se transformar em prática? A autogestão discutida deve virar uma cooperativa de trabalhadores, uma horta comunitária. O apoio mútuo deve se materializar em uma caixa de solidariedade para greves, no apoio a um morador despejado. A solidariedade de classe deve ecoar nos piquetes de luta e nas assembleias populares.

A UAF não veio a Lajinha para doutrinar. Veio para semear e, ao mesmo tempo, aprender. Convocamos a todos que participaram e a todos que sentem o chamado da liberdade:

Aos que entenderam que a verdadeira educação é libertária,

Aos que veem na autogestão o futuro da sociedade

Aos que praticam o apoio mútuo no seu dia a dia e querem transformá-lo em força política,

ASSOCIEM-SEM À UAF E VAMOS OMBREAR POR UM MUNDO MELHOR!

Que a roda de Lajinha não seja um evento isolado. Que seja o primeiro de muitos círculos de estudo, de muitos grupos de afinidade, de muitos núcleos de poder popular. Que de cada conversa surja uma comissão de bairro, que de cada debate nasça um novo sindicato combativo.

A noite em Lajinha foi iluminada não apenas pela luz do fim de tarde, mas pela chama da inteligência coletiva e da vontade de lutar. Que essa chama se alastre, queimando as correntes da ignorância e da opressão.

Pela educação libertária! Pela construção da organização popular antiestatal e anticapitalista!

A luta continua, na teoria e na prática!

Viva a Anarquia! Viva a UAF!

União Anarquista Federalista (UAF)

A Rua é Nossa! Semeando a Anarquia em Muriaé/MG!

Companheiras, companheiros, povo trabalhador de Muriaé e de todo o Brasil!

No dia 29 de setembro, as ruas da cidade foram tomadas por uma voz que não é a dos poderosos, não é a dos políticos profissionais e muito menos a dos exploradores. Foi a voz do povo, ecoando em alto e bom som através da ação direta da União Anarquista Federalista (UAF). Panfletos que desmascaram a farsa do Estado e do Capital foram distribuídos mão a mão. Cartazes que clamam por liberdade e autogestão foram fixados como bandeiras de guerra nos muros da cidade. A propaganda revolucionária não pediu licença: ocupou.

Este não foi um simples passeio. Foi um ato de coragem e um lembrete potente: a organização popular não espera por eleições, não deposita esperança em salvadores de paletó. A mudança real nasce da base, das mãos calejadas de quem constrói a riqueza e dos pés cansados de quem pisa o asfalto todos os dias. A UAF, com esta ação, não veio trazer uma verdade pronta, mas sim um convite à luta e à construção coletiva. Veio dizer que a semente da anarquia – que é a semente da liberdade, da solidariedade e do apoio mútuo – pode e deve florescer em cada bairro, em cada fábrica, em cada escola.

Enquanto o Estado nos oprime com seus impostos, sua polícia e suas leis que só servem para proteger a propriedade privada dos ricos; enquanto o Capital nos explora com salários de fome, jornadas exaustivas e a ameaça constante do desemprego, nós, anarquistas, respondemos com a única linguagem que eles entendem: a Ação Direta.

Distribuir um panfleto é um ato de ação direta. É educar, é agitar, é organizar sem intermediários.
Fixar um cartaz é um ato de ação direta. É retomar o espaço público que nos é roubado pela propaganda comercial e pelo cinismo político.
Ocupar as ruas é um ato de ação direta. É mostrar que a cidade também nos pertence, a nós, a classe que a constrói e a mantém de pé.

Mas esta ação, por mais importante que seja, é apenas o começo. Uma faísca num campo seco de injustiças. Sozinhos, somos facilmente abafados. Organizados, seremos uma tempestade que nenhum governo consegue conter.

A UAF não quer ser a sua vanguarda. Quer ser a sua ferramenta, o seu braço organizado na luta cotidiana. Convocamos a todas e todos que se identificam com esta luta:

  • Aos que estão cansados de ser governados: Juntem-se a nós!
  • Aos que sonham com uma sociedade sem patrões nem Estado: Juntem-se a nós!
  • Aos que acreditam que o poder deve estar nas mãos do povo, organizado de baixo para cima: Juntem-se a nós!

Não basta torcer pela revolução na sombra. É preciso construí-la à luz do dia. É preciso estudar, debater, formar grupos de afinidade, criar sindicatos combativos, fortalecer as comunidades e, acima de tudo, agir.

A semente foi plantada em Muriaé. Cabe a nós, povo organizado, regá-la com nossa coragem e nossa luta incessante. Que a ação de 29 de setembro seja a primeira de muitas. Que cada rua, cada praça, cada coração oprimido se torne um território livre da luta anarquista.

Pela organização popular! Pela ação direta! Pela revolução social!

Viva a Anarquia! Viva a UAF!

União Anarquista Federalista (UAF)

Conferências da UAF: Não é falta de comida, é excesso de Capitalismo: A invenção da Fome

A fome não é um acidente nem uma fatalidade. É um projeto político e econômico do capitalismo, que transforma o alimento – um direito básico – em uma mercadoria lucrativa. Enquanto o agronegócio ostenta recordes de produção e lucros bilionários, milhões são lançados à miséria extrema, vítimas de um sistema que prioriza a exportação e a acumulação de riqueza nas mãos de poucos. A fome é a violência mais visceral deste modelo de morte.

É urgente desmascarar essa engrenagem perversa e romper com a narrativa de que não há alternativa. Precisamos falar de soberania alimentar, de autogestão, de apoio mútuo e de como a organização popular direta pode construir um novo caminho, desde já, a partir da base, sem depender do Estado ou dos capitalistas.

União Anarquista Federalista (UAF) convoca todes para a conferência “A Fome é uma Invenção do Sistema Capitalista”, no dia 03 de Outubro de 2025, às 20h. Vamos juntar a fome com a vontade de lutar! Para garantir sua inscrição e receber o link de acesso, envie um e-mail para uaf@riseup.net. Não vamos apenas denunciar a fome; vamos organizar a sua abolição!

União Anarquista Federalista (UAF)

Capitalismo e o Colapso Ecológico Anunciado

Reproduzimos abaixo o posicionamento da Federação Anarquista Capixaba – FACA, associada à UAF:

Os dados alarmantes divulgados neste ano de 2025 pela Organização Meteorológica Mundial – o mar em superaquecimento, 1,4 milhão de deslocados por eventos climáticos extremos no Pacífico, 10% dos oceanos sufocados por ondas de calor – não são meros acidentes naturais. São o resultado palpável, o sintoma terminal, de uma máquina de morte chamada capitalismo. Este sistema, fundado na acumulação infinita de lucro, é intrinsecamente predatório. Ele transforma tudo – florestas, oceanos, a própria atmosfera – em mercadoria a ser explorada até o esgotamento. A lógica do crescimento perpétuo, indispensável ao capital, é biologicamente impossível num planeta finito. As emissões descontroladas, a extração insana de recursos, a poluição industrial desenfreada, são não falhas do sistema, mas seu modus operandi essencial. O recorde de temperatura do mar é o termômetro calibrado pela ganância corporativa.

A tragédia no Pacífico, com milhões forçados a abandonar suas terras por ciclones intensificados e elevação dos mares, expõe o rosto brutal do colonialismo ambiental inerente ao capitalismo globalizado. As nações insulares e comunidades costeiras, que menos contribuíram historicamente para as emissões de carbono, são as primeiras e mais violentamente atingidas. Enquanto isso, as megacorporações de combustíveis fósseis e os Estados industrializados, principais responsáveis pelo caos climático, continuam a lucrar obscenamente e a financiar novas explorações. O sistema protege seus agentes e transfere o custo humano e ecológico para os mais vulneráveis, os “descartáveis” do Sul Global. O deslocamento em massa não é um efeito colateral; é a externalização planejada do custo da acumulação capitalista.

A ilusão perigosa do “capitalismo verde” ou do “desenvolvimento sustentável” é apenas mais uma engrenagem na máquina de destruição. São falsas soluções de mercado – créditos de carbono, energias “limpas” controladas por monopólios, tecnologias mirabolantes – que servem para manter intactas as estruturas de poder e acumulação. Elas não questionam a necessidade fundamental de expansão infinita e consumo desenfreado; apenas tentam pintar de verde o mesmo modelo insustentável, criando novas fontes de lucro enquanto o planeta continua a arder. Os ciclones que devastam o Sudoeste da Ásia não serão contidos por painéis solares vendidos por megacorporações. Esta é uma cortina de fumaça para perpetuar o controle e adiar a ação radical necessária.

Diante dessa realidade, é uma insanidade acreditar que reformas dentro do sistema capitalista podem deter a catástrofe. A ação climática significativa exige o desmantelamento imediato da indústria de combustíveis fósseis, o fim da produção desnecessária de mercadorias, uma profunda redistribuição de riqueza e uma reorganização radical da vida em torno das necessidades comunitárias e ecológicas, não do lucro. O capitalismo, por sua própria natureza, é incapaz de realizar isso. Ele só compreende a linguagem do crescimento e da exploração. Portanto, a luta ecológica verdadeira é, inevitavelmente, uma luta revolucionária anticapitalista. Defender a Terra significa atacar as raízes do poder que a destrói: o Estado que a protege e o capital que a devora.

A única esperança reside na ação direta, na organização autônoma das comunidades, na desobediência massiva e na construção de alternativas horizontais e libertárias agora. Devemos sabotar as máquinas da destruição – dos gasodutos às mineradoras – e criar zonas de resistência e autonomia onde a vida, não o lucro, seja o valor supremo.

A destruição do capitalismo não é um desejo vingativo; é uma necessidade ecológica absoluta, o pré-requisito para qualquer chance de sobrevivência coletiva neste planeta. Os 1,4 milhões de deslocados no Pacífico são as vítimas de hoje. Se não destruirmos a máquina que os esmaga, seremos todos as vítimas de amanhã. A Terra não negocia; ela se rebela. Ou nos rebelamos com ela, abolindo o capitalismo, ou perecemos com ele.

Federação Anarquista Capixaba – FACA